Evolução Histórica
A região onde se encontra o concelho foi
povoada desde tempos bastante antigos. Há vestígios arqueológicos um
pouco por todo o lado, mas é de realçar, pela proximidade com
Montemor-o-Velho, o povoado de Santa Olaia, que se situa junto ao
cruzamento para a Ereira, e que foi profundamente estudado aquando das
obras do troço do IP3. Este povoado foi ocupado desde o Neolítico até à
Idade Média, com especial relevo para a época do Ferro (século VIII-VII
a. C.), tendo mantido contactos comerciais com fenícios e cartagineses
que aqui vinham em busca das riquezas mineiras e deixaram um vasto
espólio que está patente no Museu Municipal da Figueira da Foz.
Num outeiro próximo existiu na Idade Média
um castelo, que foi destruído por uma investida muçulmana em 1116.
Voltando a Montemor-o-Velho, existem vestígios arqueológicos desde a
época romana, nomeadamente os achados no sítio da Senhora do Desterro
(existiu aí uma villa romana e uma necrópole, tendo sido postas a
descoberto algumas sepulturas de tijolo, abobadadas, e moedas do século
IV), a lápide de Lúcio Cádio Cela patente no Museu Nacional Machado de
Castro em Coimbra, a lápide de Júpiter na Capela da Madalena e os blocos
de cantaria reempregados na base da torre de menagem do castelo.
É possível que a povoação de Formoselha,
situada na margem esquerda do rio, deva a sua origem a uma villa romana,
entre as várias que terão existido ao longo do rio. Da época visigótica
ficou uma pedra de ornáto bárbaro-popular, achada no castelo.
Em 711 iniciou-se a ocupação árabe da
Península Ibérica. Montemor-o-Velho, porto fluvial-marítimo de grande
importância na época, foi alvo de conquistas e reconquistas ao longo dos
séculos IX a XII: em 848 dá-se a primeira reconquista cristã de Montemor
pelo rei Ramiro I de Leão, que entregou o castelo ao abade João, tendo
este resistido nesse mesmo ano ao cerco que lhe fez o califa de Córdova
Abd-al-Rahaman. Em 878 Afonso III o Magno ocupou Coimbra procedendo ao
repovoamento da linha do Mondego; em 2 de Dezembro de 990 dá-se nova
investida dos árabes chefiados por Almançor, que tomam o castelo de
Montemor-o-Velho, sendo o seu governo entregue a Froila Gonçalves,
descendente do conde portucalense Gonçalo Moniz. Este foi desalojado, no
reinado de Afonso V, por Mendo Luz, que o recuperou para os cristãos,
passando mais tarde para Gonçalo Vieigas. Em 1026 os árabes voltam a
conquistar Montemor-o-Velho, e em 1034 Gonçalo Trastamires recupera-a de
novo para os cristãos, ficando seu governador.
Após novas investidas árabes, Fernando
Magno, em 1064, conquista definitivamente Coimbra e a linha do Mondego,
entregando o seu governo ao conde D. Sisnando, moçárabe natural de
Tentúgal. D. Raimundo, governando pessoalmente Coimbra, deu carta de
povoação a Montemor em Fevereiro de 1095.
Nesta época o rio fazia a fronteira entre
o norte cristão e o sul árabe, tendo sido construída uma linha de
fortificações que incluía os castelos de Avô, no rio Alva, Penacova,
Lousã, Coimbra, Penela, Soure e Montemor.
Existe uma curiosa lenda popular sobre a
origem de Montemor. Conta ela que profunda rivalidade opunha os
habitantes de Montemor e Maiorca, pois cada qual considerava a sua terra
como colocada no ponto mais alto que a outra. Para irritar os
maiorquinos gritavam os de Montemor: "Monte…Mor! Monte…Mor!" ao que os
de Maiorca retorquiam "Maior…Cá! Maior…Cá!".
O facto é que em 1212 se denominava Mons
Maiores ou Montis Maioris, a que se acrescentou -o-Velho quando D.
Sancho I reedificou a vila alentejana de Montemor(-o-Novo).
Já no período da Nacionalidade, D. Sancho
I deixou Montemor-o-Velho em testamento à filha, D. Teresa que, com a
sua irmã D. Sancha, deram foral à povoação em Maio de 1212. Esta foi
crescendo, acompanhando um surto demográfico por todo o Baixo Mondego,
com o consequente desbravamento de novas terras para cultivo e criação
de novos lugares, como se pode comprovar pela toponímia, que regista
numerosos Casais e Póvoas. Para além dos senhorios régios, os terrenos
do concelho distribuíam-se pelas principais instituições eclesiásticas
da região (Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, Mosteiro de Santa Clara,
Mosteiro do Lorvão).
O rei D. Afonso III doou a povoação a sua
filha, D. Branca, abadessa de Huelgas e Lorvão. Foi na alcáçova do
castelo que no dia 6 de
Janeiro de 1355 o rei D. Afonso IV se reuniu com
os seus conselheiros para decidirem a sorte de D. Inês de Castro, tendo
daqui saído no
dia seguinte para executarem o plano. Após o cerco de
Torres Novas, o Mestre de Avis, D. João, passou por Montemor-o-Velho,
onde recebeu as homenagens do alcaide-mor e do povo, tendo seguido para
Coimbra onde foi aclamado rei pelas Cortes. D. João I concedeu o
senhorio ao infante D. Pedro que aí fez estadia durante algum tempo. O
rei D. João II, por testamento de 29 de Setembro de 1495, doou Coimbra
como ducado ao filho natural, D. Jorge, incluindo-se na doação
Montemor-o-Velho, que ficará na Casa dos Duques de Aveiro até 1759.

Em
20 de Agosto de 1516, D. Manuel I dá foral novo a Montemor-o-Velho; este
documento é de particular importância para a análise da forma como se
desenrolava a vida das gentes de Montemor nos inícios do século XVI. É
também nesta época que se produz uma importante alteração na economia
local devido à introdução nos campos do Mondego do milho maíz, trazido
da América, e que provocou uma era de prosperidade que se manteve até ao
século XVII.
O desenvolvimento do concelho alicerça-se
então em três núcleos populacionais: Montemor-o-Velho, Pereira e
Tentúgal. Nos seus campos produz-se, para além do milho, o linho e o
trigo, cria-se gado bovino e cavalar, constroem-se solares, remodelam-se
igrejas e conventos. Deste período destacam-se as figuras de Diogo de
Azambuja, Fernão Mendes Pinto e Jorge de Montemor.
A decadência parece ter começado nos
inícios do século XVII e continuado no século XVIII; em 1771 a Figueira
da Foz é elevada a vila e, consequentemente, o termo de Montemor é
diminuído.
Com a introdução da cultura do arroz nos
inícios do século XIX, dá-se um novo surto desenvolvimentista. Com
efeito, a produção não parará de aumentar, tornando-se uma das
principais fontes de riqueza do concelho (em 1923 a produção em 466 ha
foi de 700 000 Kg e em 1934 em 1 423 ha foi de 2 135 000 Kg).
Em 1826 o concelho era constituído pelas
freguesias de Alfarelos, Brunhós, Carapinheira, Figueiró do Campo,
Gatões, Gesteira, Granja do Ulmeiro, Liceia, Vila Nova da Barca,
Alcáçova, S. Miguel, S. Salvador, S. Martinho e Madalena. Com a
reestruturação administrativa de 1853, o concelho tomou a forma quase
definitiva: foram extintos os concelhos de Verride, Santo Varão, Cadima
e Tentúgal e integradas no concelho as freguesias de Arazede, Liceia,
Pereira, Santo Varão, Reveles, Verride, Vila Nova da Barca, Meãs do
Campo e Tentúgal. Em 1928 foi criada a freguesia da Abrunheira (por
extinção de Reveles), em 1943 é a vez da criação da freguesia de Gatões
(por desmembramento de Seixo de Gatões) e em 1984 é criada a freguesia
da Ereira (por desmembramento de Verride).
Turismo
São variados os motivos para efectuar uma
visita pelo concelho: o destaque vai para os núcleos históricos
de
Montemor-o-Velho,
Pereira e
Tentúgal.
No património natural menção para a
Reserva Natural do Paul de Arzila
e o
Paul do Taipal, onde se podem
observar variadas espécies animais no seu habitat, especialmente
as aves que procuram estes santuários para procriar.
Na
gastronomia
a ementa é variada. Recomenda-se o arroz de lampreia, o sável
frito, as aves de capoeira, com destaque para o pato assado ou
de cabidela, a sardinha na telha acompanhada da indispensável
broa. Na doçaria a referência obrigatória vai para os doces
conventuais: pastéis de Tentúgal,
as queijadas de Pereira e de Tentúgal, os papos de anjo e as
barrigas de freira, a que se juntam as não menos famosas e
saborosas espigas doces de Montemor-o-Velho, as papas de moado e
o arroz doce. Para saborear estes petiscos existem numerosos
restaurantes e, para pernoitar, existe uma
Residencial em
Montemor-o-Velho.