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Designação:
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Igreja da Misericórdia
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Tipologia:
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Arquitectura religiosa renascentista
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Localização:
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Coimbra, Montemor-o-Velho, Tentúgal
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Autoria:
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Tomé Velho
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Classificação:
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IIP, Dec. N.º 37728, DG 4 de 05/01/1950
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Época:
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Ano:
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16
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1583
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Utilização Inicial:
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Utilização Actual:
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Cultual e devocional
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Cultual e devocional
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Descrição:
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Localiza-se na Rua Dr. Armando Gonçalves. Planta longitudinal, com nave única, clara e ampla e coro-alto, tendo no lado direito a tribuna dos mesários, com cobertura de tecto em duas águas. Fachada com portal, sobrepujado pela janela do coro, encimada pelo baixo relevo da Virgem da Misericórdia. À esquerda, a torre com uma ventana de cada lado e remate piramidal.
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Nota Histórica:
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A Misericórdia deve a sua fundação a D. Filipe I, por Alvará datado de 1583. Por este documento estipulava-se a anexação da Irmandade de S. Pedro e S. Domingos e o hospital entregues à administração da Misericórdia. Foi este mesmo monarca que mandou edificar a igreja.
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Observações:
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Descrição Pormenorizada:
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É uma vasta construção que tem anexa a Casa do Despacho e outras dependências, em puro estilo da Renascença, dos fins do século XVI, constituído por um paralelepípedo rectangular sem capela-mor, substituída por altar-mor. Este destaca-se ao fundo da sua ampla nave, assente sobre uma tribuna, à qual dão acesso duas elegantes escadarias laterais, de pedra, tendo estas e a tribuna uma magnífica e bem trabalhada balaustrada, boa obra de tornearia seiscentista. Sob a tribuna, há um grupo escultórico, da mesma época e dos mesmos artistas, representando uma Deposição no Túmulo (o Senhor Morto e, a velarem-no sete bustos que formam um círculo de ternura). Toda a altura e largura da nave está ocupada por um retábulo em pedra de Ançã, de finais do século XVI, também da Renascença, de boa qualidade mas não tão exuberante como o da igreja matriz. São trabalhos da escultura coimbrã, idêntica aos da Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Velho. De composição única abrangendo as três mesas, tem colunas no andar baixo e colunelos-balaústres no alto, abrigando baixos-relevos e imagens soltas: ao centro a Visitação e a Senhora da Misericórdia, em baixos-relevos; nos intercolúnios as estátuas dos Doutores Santos Gregório e Agostinho, Ambrósio e Jerónimo; nos espaços imediatos aos baixos-relevos da Anunciação, Adoração dos Pastores e Adoração dos Magos, Sonho de S. José, Natividade da Virgem e Apresentação no Templo; nos extremos as esculturas de S. Pedro e dum Santo Bispo, ladeados de dois anjos, um como porta-báculo, outro turiferário; acima vêem-se dois baixos-relevos, de S. Domingos e de S. Francisco. As três mesas são de madeira do século XVIII. De salientar também uma tribuna lateral, tribuna dos mesários, datada de 1687/94, tendo, na frente, três vãos, divididos por duas colunas dóricas de fuste canelado sobre podium e um gradeamento de ferro batido. Aqui foi colocada uma charola de oito colunas torcidas, do fim do século XVII, com Cristo flagelado. Do lado esquerdo, um púlpito elementar com escadaria e bacia em pedra, envoltos num corrimão assente numa balaustrada em madeira. A sacristia tem um rodapé de azulejos, restos de um padrão polícromo do século XVII. Na fachada, o pórtico (constituído por duas colunas coríntias e arco decorado, de duplo aro), verdadeira obra-prima da Renascença e a ladear o portal encontram-se o anjo inspirador da Rainha D. Leonor e esta soberana com trajos da corte, em atitude votiva (ou o Anjo e a Virgem da Anunciação ?), o escudo dos Cadavais/Marqueses de Ferreira/Condes de Tentúgal ao meio e a data de 1586. Ambas as esculturas estão apoiadas em elegantes mísulas e encimadas por dois rendilhados dóceis. O pórtico é encimado pela janela do coro enquadrada por pilastras, à qual se sobrepõe o baixo-relevo da Virgem da Misericórdia, com o letreiro - MISERICORDIAS D(OMI)NI e a cruz, posterior, de ornato popular. A torre, à esquerda do edifício, datada de 1722, tem uma ventana de cada lado e um remate piramidal coberto com azulejos azuis e brancos. Um dos sinos tem a data de 1840 e outro a de 1897, sendo este fundido por José Augusto, de S. João das Areias. O patamar apresenta grade de ferro, de varões anelados (séculos XVI-XVII). A igreja tem duas portas laterais a comunicar com a rua: a do norte ia ter a uma espécie de beco com serventia para o arco (entaipado) e a do sul para uma pequena travessa entre a igreja e o Solar dos Viegas de Novais.
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Nota Histórica Pormenorizada:
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A Misericórdia de Tentúgal deve a sua fundação ao Rei D. Filipe I que, por Alvará datado de Lisboa de 6 de Março de 1583, mandava anexar à Misericórdia a Irmandade de S. Pedro e S. Domingos e o hospital que esta administrava. Seguia assim a corrente que desde D. Manuel vinha sendo adoptada. É curioso notar que Tentúgal foi das poucas vilas, em cuja Câmara, em 1580, se proclamou Rei a D. António Prior do Crato, apesar de D. Filipe I ter mandado construir a Misericórdia e ter concedido grandes privilégios ao Convento. As obras da Igreja começaram pela fachada por volta de 1583, data dos primeiros pagamentos a pedreiros para abrirem os alicerces, bem como carregamentos de pedra de Portunhos e de Ançã. Estas obras prolongaram-se por algum tempo e, ainda em 1587/88, Manuel Fernandes trabalhava na empena do portal (esta foi posteriormente alterada, sofrendo remodelações no século XVIII). Em 1592, foi paga a Francisco Rodrigues a pia de água benta e em 1595 despesas com a construção da sacristia. O retábulo principal, também da autoria de Tomé Velho, estava concluído em 1600. Em 1687/94 foi construída a tribuna dos mesários, obra de Francisco Rodrigues e em 1722 foi renovada a torre e certamente o alto da frontaria. Em 1914, ocorreram obras na Igreja, ficando profanada e daí a necessidade de a benzer e levar o Provedor a solicitar ao bispo de Coimbra o seguinte requerimento: "...achando-se profanada a capela da Santa Casa da Misericórdia de Tentúgal em consequência de se terem ali realizado obras que estão concluídas, resolveu esta Irmandade solicitar a V. Ex.ª R.ma autorização para ser benzida, como foi recentemente nomeado Capelão o R.do Bernardo Augusto de Souza Monteiro vou rogar a V. Ex.ª que este o escolhido para esse fim, ou o Sr. Arcipreste R.do Abel d'Almeida e Souza, de modo a poder ser utilizada a dita Capela para no próximo Sabado 28 do corrente receber a Imagem do Senhor dos Passos destinada a Matriz segundo antiquíssimo costume. Tentúgal, 22 de Março de 1914 // O Provedor, António Soares Couceiro // A licença e Provisão de benção foi concedida a 24 de Março de 1914 assinada pelo conego Rui de Andrade". O arco existente entre a Igreja e a Casa do Despacho (entaipado) é anterior à extinção dos vínculos (1863) e dava serventia para os edifícios do beco. Os Monumentos Nacionais intervieram na Igreja por diversas vezes: em 1979, reconstruíram a cobertura em pré-esforçado; em 1981, repararam o tecto e fachadas; e em 1986/87, realizaram obras de beneficiação (conclusão do restauro).
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Bibliografia:
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CORREIA, Vergilio- "Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p. 150-151; CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos- "Terras de Montemor-o-Velho", Coimbra, 1992, p. 322-323; GONÇALVES, Carla - "Thomé Velho, escultor e arquitecto do maneirismo Coimbrão", "Munda", n.º 23, Maio/1992; GÓIS, A. Correia-"Concelho de Montemor-o-Velho. A terra e a gente", Montemor-o-Velho, 1995, pp. 158-161.
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