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Os fâmulos de Deus Baharo e Tranquili doaram, no ano de 980, ao Mosteiro de Lorvão, uma Igreja de S. Pedro e S. Miguel Arcanjo, em Tentúgal. Com esta designação era conhecida no tempo de Fernando Magno, Rei de Leão e Castela, e D. Sesnando, Conde de Coimbra, no século XI. Decerto sofreu alguma ruína nas incursões de Almançor ou noutra posterior e cuja data se desconhece porque D. Sesnando, no seu testamento de 1087, referia que mandou reconstruir e povoar Tentúgal, terra dos seus antepassados. Esta reconstrução, que concerteza incluiu esta igreja, foi realizada no tempo de D. Afonso VI, Rei de Leão e Castela, segundo o Foral de 1108. No decorrer dos séculos, passou a ser conhecida somente por Igreja de S. Miguel, ficando no esquecimento o outro orago. D. Dinis, por carta datada de 13 de Junho de 1288, doou o priorado da Igreja ao Mosteiro de Ceiça. D. Américo d'Ebrad, Bispo de Coimbra, confirmou a doação em Agosto do mesmo ano. Com a designação de Igreja de S. Miguel apareceram várias referências, até final do século XVI, em instituições de vínculos. A mais antiga remonta a 1326 (Era de Cristo), Simão Joannes, clérigo de missa, natural de Tentúgal, instituiu um vínculo de capela na Igreja de S. Miguel, no altar de S. João, com missa quotidiana. Em 1473, extinta a geração do instituidor, D. Afonso V, doou a referida capela a Gonçalo Mondes, decerto somente em vida, pois em 1488 D. João II, doou-a a Lopo Porcalho, escudeiro da casa de D. Filipa, provavelmente a filha do Regente D. Pedro. Em 1503, como Lopo Porcalho não cumpria as obrigações da capela, foi-lhe tirada e doada por D. Manuel a Gonçalo Pestana, escudeiro de sua Casa, também somente em vida. Da viúva de Gonçalo Pestana, há notícia que vivia em Tentúgal a 20 de Abril de 1512. Depois, a 16 de Novembro de 1549, D. João III doou o vínculo da capela, perpetuamente, ao Convento da Graça de Coimbra, o que foi confirmado por D. Filipe I a 28 de Agosto de 1597. Esta designação manteve-se até ao século XVI, apesar de já estar construída uma nova Igreja Matriz. Assim, até 1597, há referências seguras sobre a existência da velha Igreja de S. Miguel, apesar de nesta altura ser considerada capela ou ermida. Em 1621, há notícia da transferência de pedras e ossadas para o Convento da Graça de Coimbra, o que indica que nesta altura a capela estava em ruínas. Entre o que veio estava a pedra tumular de Simão Joanes, actualmente no Museu Machado de Castro. No século XVII, fez-se referência à demolição da capela. Outra instituição de vínculo nesta igreja, posterior a Simão Joanes, foi feita por Diogo Couceiro que esteve em Azamor em 1514 com o Duque de Bragança, D. Jaime, e armado cavaleiro pelo mesmo Duque. Anos depois do regresso a Tentúgal, Diogo Couceiro, estando gravemente doente, fez testamento, a 6 de Outubro de 1523. Instituía um vínculo que nomeava seu filho menor, Miguel, e no caso deste falecer sem filhos passaria a capela para o irmão do instituidor, João Fernandes Couceiro, ou para o parente mais próximo da geração dos Couceiros. O vínculo passou por João Fernandes Couceiro para seu neto, João Fernandes de Faria (ou Couceiro), onde fez referência, no seu testamento de 27 de Julho de 1611, ao altar-mor da capela (3). Nas Memórias Paroquiais de 1721, aparece referenciada como Ermida ou Capela de S. Miguel, particular, dos herdeiros de João Fernandes de Faria que a mandaram edificar. Encontrava-se em ruínas a 15 de Fevereiro de 1735, quando era administrador António Cortes de Carvalho e Vasconcelos, de Santa Eufémia, bispado de Viseu e pertencia ao "Morgado de S. Miguel". Esta nova capela já se encontrava arruinada em meados do século XIX. No início do nosso século ainda eram visíveis algumas paredes.
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