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Designação:
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Convento de Nossa Senhora dos Anjos
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Tipologia:
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Arq. religiosa, cultual, manuelina, protobarroca
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Localização:
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Coimbra, Montemor-o-Velho, Montemor-o-Velho
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Autoria:
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Desconhecido
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Classificação:
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MN, Dec. 16 Junho 1910, DG 136 23 Junho 1910 e Dec. n.º 26 461, DG 71 de 26 Março 1936 (Igreja e claustro)
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Época:
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Ano:
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15/16/17
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1494
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Utilização Inicial:
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Utilização Actual:
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Cultual e devocional
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Cultual e cultural
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Descrição:
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Planta composta pela igreja, sacristia, cozinha, refeitório, claustro, sala do capítulo, celas, portaria e outras dependências.
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Nota Histórica:
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Esta casa conventual teve a sua origem numa pequena ermida pertencente a Diogo da Azambuja. Em 1494, o Papa Alexandre VI passou o breve da fundação do Convento dos frades eremitas de Santo Agostinho, sendo o seu principal impulsionador Diogo da Azambuja. As obras foram lentas, sendo a igreja a primeira a ser construída. No séc. XX foi classificado e intervencionado.
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Observações:
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Adulterações várias, sobretudo na zona conventual: algumas cantarias pintadas, utilização de mármores, portão em chapa, cobertura do armazém de trás.
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Descrição Pormenorizada:
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Planta composta pela igreja, sacristia, cozinha, refeitório, claustro, sala do capítulo, celas, portaria e outras dependências. Igreja de planta longitudinal, uma nave de três tramos, coro-alto e capela-mor. Fachada principal com porta rectangular entre pilastras, sobrepujada de frontão interrompido por nicho e sobre janela do coro e remate em cornija com cachorros e gárgulas. À esquerda desenvolve-se o claustro e outras dependências. No interior duas capelas de cada lado da nave que tem cobertura em abóbada de arestas. Um arco cruzeiro dá acesso à capela-mor, rectangular, de contrafortes angulares e um a meio da parede do topo e outro na da Epístola. Coberta por abóbada de um tramo estrelada, com arcos cruzeiros, cadernas e terceletes. Das cinco chaves sobressai a central onde campeiam as armas de Diogo da Azambuja. Dois outros fechos contém ao meio uma cruz de Avis, merecendo especial realce a que é debruada por dois pergaminhos desenrolados onde se lê uma inscrição. Apresenta duas janelas com mainel do lado da Epístola. Do lado do Evangelho surge o túmulo de Diogo de Azambuja. À esquerda do túmulo, situa-se uma porta que dá acesso à sacristia. Do lado do Evangelho: Capela do Sacramento, Capela das Almas. Do lado da Epístola: Capela dos Cotas, Capela da Anunciação e a capela da Deposição ou da Piedade. O claustro é de planta quadrada, de dois andares, com contrafortes quadrados e dois arcos em asa de cesto apoiados em colunas dóricas entre eles no piso térreo e portas no piso superior. A igreja é de origem manuelina patente na capela-mor, particularmente na abóbada, nas janelas e no túmulo de Diogo de Azambuja. As obras seiscentistas alteraram a cobertura da nave e principalmente a fachada que apresenta a simplicidade típica da arquitectura simples do período anterior ao Barroco. Na fachada do edifício, rasga-se a porta conventual, com frontão triangular de nicho cavado a toda a altura sobre um arco peraltado e apoiado em duas colunas dóricas, isoladas, deixando estreitos espaços até aos limites laterais do pórtico. Apresenta, ainda, uma grade de ferro do século XVII, com bandeira ornada de tema em CC. Por este acesso, ao lado da igreja, encontra-se a portaria do convento que dá directamente para o claustro. Este, datado de finais do século XVI, está dividido em dois pisos, abrindo o inferior em arcaria para o pátio central, onde se ergue no centro o fontenário, alimentado por uma linha de água. A galeria, ampla e de espaços harmoniosos, é coberta com abóbada de berço de sete tramos, em cada lado do quadrado, não correspondendo a sua divisão em número à divisão da arcaria, apesar de estarem centradas uma em relação à outra. Em cada lado, aos cinco tramos centrais da abóbada que fazem a largura do pátio, corresponde a divisão da arcaria em três sectores, por meio de contrafortes de secção quadrada. A cada sector correspondem dois arcos abatidos que assentam em colunas toscanas. No piso superior, a cada um dos três sectores referidos corresponde uma janela, centrada em relação a cada um dos jogos de dois arcos do piso inferior. Para o claustro comunicam, numa tradição ainda medieval, as dependências colectivas, como a própria igreja, portaria, Sala do Capítulo e o refeitório e, através deste, a copa e a cozinha. A Sala do Capítulo e o refeitório, salas de dimensões harmoniosas, apresentam ainda nos seus portais cantarias que lhes conferem alguma dignidade.
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Nota Histórica Pormenorizada:
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As fontes são unânimes ao declararem que esta casa conventual teve a sua origem numa pequena ermida pertencente a Diogo da Azambuja. Em 1494, o Papa Alexandre VI passou o breve da fundação do Convento dos frades eremitas de Santo Agostinho calçados ou gracianos, sendo o seu principal impulsionador Diogo da Azambuja. As obras foram lentas, sendo a igreja a primeira a ser construída: nos primeiros anos de quinhentos estava já embutida na parede do lado da Epístola a arca funerária dos Cotas, datada de 1504, o que significa que a parede sul da igreja se achava concluída nesta altura. O mesmo se pode dizer da sua frontaria cujo cunhal foi deixado à vista durante as obras de conservação dos anos 30 do século XX. Em 1511, estava concluída a capela-mor, a expensas de Diogo da Azambuja. Pela mesma altura, deve ter-se acabado a sacristia cujo tecto, nos finais do século, foi coberto com os interessantes frescos que ainda hoje se mantém. Contemporânea da capela-mor e da sacristia é a torre sineira. Em 1514, já o convento se achava bem implantado em Montemor-o-Velho. Entre 1514 e 1518, rasgou-se, na parede que separa a sacristia da capela-mor, o magnífico túmulo de Diogo da Azambuja, que viria a falecer a 15 de Agosto de 1518. A partir deste momento, o Convento dos Anjos sobreviveu com parcos rendimentos. Em 1535, os Pinas instituíram a sua capela funerária na parede sul da igreja. E, anos depois, em 1567, fez-se para a capela-mor um bom e grandioso retábulo de que subsiste o sacrário. No entanto, surgem notícias de que a 11 de Abril de 1572 o convento sofria grandes obras, excluindo a igreja. Outras obras foram ainda realizadas no final do século XVI: em 1591, foi feita a Capela da Anunciação, de Mateus Roiz, denotando já uma gramática maneirista.; data de 1593 o altar do Espírito Santo (tratava-se provavelmente de um retábulo situado no lado do Evangelho do arco triunfal da capela-mor); a sacristia terá também sofrido algumas reformas. As intervenções do século XVII modificaram alguns dos aspectos arquitectónicos da igreja e desvirtuaram muito a sua traça, prejudicando mesmo, em alguns casos, as obras já existentes. Substituiu-se o tecto da nave, inicialmente de madeira, sendo alteado através de abóbadas de arestas em tijolo dispostos em três tramos. Para isso robusteceram-se as paredes, através de fortes pilastras em função de contrafortes internos, alteração que veio causar algum desequilíbrio a toda a nave e a prejudicar não só o púlpito, devido à inclusão de um contraforte por cima daquele, mas igualmente o arco triunfal da Capela das Almas, erigido neste século, em 1622, ficando com uma das suas pilastras laterais, semi-encoberta pela sobreposição da base do púlpito. A par destas alterações realizou-se, ainda, a construção do coro-alto da igreja e, pelas últimas décadas de seiscentos, era aposta na Capela dos Pinas a lápide relatando os infortúnios de D. Margarida de Melo e Pina. No século XVIII, operaram-se novas reformas. Na parede do altar-mor foi pintado um grande retábulo fingido, de que hoje apenas restam fragmentos e, já para os finais do século, foram introduzidos nas outras paredes da capela-mor azulejos historiados com cenas da Vida da Virgem, cujo rasto se perdeu. O túmulo do fundador foi retirado do seu local primitivo e colocado a um canto. Também o altar quinhentista foi substituído por outro, de madeira, no seguimento do estilo utilizado em Santa Cruz desde cerca de 1750. No andar superior do claustro foi incluída uma capela abobadada com comunicação para o coro. Em 1834, o convento foi extinto, sendo alienados, dispersos ou abandonados os seus bens móveis e imóveis. Só em 1933 é que a D.G.E.M.N. dá início ao seu louvável empreendimento de recuperação. 1935-aquisição pelo Estado do claustro. 1936-1939-reconstrução da armação do telhado das janelas e respectivas molduras; pavimentos e rebocos; 1967 - reparação de rebocos e caixilhos; 1994 - beneficiação de coberturas; 1997 - beneficiação das coberturas da igreja, sacristia e claustro, beneficiação interior de todas as áreas, incluindo a igreja; 1998 - obras de reconstrução de coberturas que dão para o claustro.
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Bibliografia:
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"A Igreja de Santa Maria dos Anjos", Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, n.º 22, Porto, 1940; CONCEIÇÃO A. Santos-"Terras de Montemor-o-Velho", Montemor-o-Velho, 1992 (re-ed.), p. 182-189; CORREIA, Vergílio e GONÇALVES, A. Nogueira-"Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p. 135-137; DIAS, Pedro - "Montemor-o-Velho, Pereira e Tentúgal - Levantamento do património histórico - arquitectónico", pp, 64-67; MATOS, João Cunha - "Montemor-o-Velho. Sua História. Sua Arte", Coimbra, Epartur, 1977, pp. 30-40; GÓIS, A. Correia - "Concelho de Montemor-o-Velho. A terra e a gente", Montemor-o-Velho, 1995, p. 128-133; MATOS, Teresa da Cunha - "Nossa Senhora dos Anjos de Montemor-o-Velho. Um caso exemplar da evolução do gótico flamejante ao maneirismo", Coimbra, FLVC, 1996 (diss. mestrado).
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