Designação:

Igreja da Misericórdia

Tipologia:

Arq. religiosa renascentista

Localização:

Coimbra, Montemor-o-Velho, Montemor-o-Velho

Autoria:

Escola de João de Ruão (baixo relevo)

Classificação:

IIP, Dec. N.º 37728, de 05/01/1950

Época:

Ano:

16/17/18/19

1555

Utilização Inicial:

Utilização Actual:

Cultual e devocional

Cultual e devocional

Descrição:

Planta de nave única com capela-mor e dois altares colaterais, no corpo da igreja. Apresenta, como é comum nas igrejas da Misericórdia, a tribuna dos Mesários. Tem ainda púlpito e um alizar de azulejos.

Nota Histórica:

É obra do fim do século XVI, tendo sofrido reformas na 2ª metade do século XVIII (a que talvez corresponda a data de 1761 do lavabo). Voltou a ser reformada no último quartel do século XIX (1873), quando era provedor o Reverendo Augusto Pereira Cardote.

Observações:

Descrição Pormenorizada:

Situada em plano baixo, antigamente sujeita às inundações do Mondego, tem no flanco direito a casa do despacho e à esquerda arrumos. Apresenta planta de nave única, a capela-mor tem abóbada de pedra, curva, dividida em quartelas, mas desadornadas. O tecto do corpo é de madeira, em caixotões, que poderão ser já do século XVIII. O pavimento é lajeado em muitas das pedras observam-se inscrições sepulcrais dos irmãos da Misericórdia, benfeitores e "indigentes" ali sepultados. Este templo possui três retábulos: o principal, da renascença decadente de finais do século XVI, composto por duas ordens de baixos relevos: inferiormente, a "Visitação de Nossa Senhora à prima Isabel" entre a "Anunciação do Anjo a Nossa Senhora" e o "Nascimento do Menino Jesus" (Presépio); na parte de cima, "Nossa Senhora da Misericórdia", acompanhada da "Circuncisão do Menino Jesus" e a "Adoração dos Reis Magos"; a mesa do altar é setecentista e forma nicho, encerrando a "Deposição do Senhor Morto" no túmulo, velado por Nossa Senhora, S. João, Marias (Salomé e Madalena) e Verónica, numa cena silenciosa e lacrimejante, da mesma época do retábulo. O altar colateral do Evangelho, "Oração no Horto", da mesma época do principal, é formado por um arco entre colunas e encerra um retábulo representando a "Agonia ou Oração do Senhor no Horto". O altar do lado oposto tem as mesmas características, representando a "Deposição de Nosso Senhor no Sepulcro". Abre-se na parede da Epístola a "Tribuna dos Mesários", de colunas jónicas em pedestais e entablamento direito, dos finais do século XVII. Possui ainda um coro lateral apoiado em colunas simples, cujas janelas são do século XVIII. O púlpito, provavelmente do século XVII, assenta em duas mísulas e tem grades torneadas, de madeira. A capela-mor e o corpo da igreja revestem-se de azulejos de enxaquetado, do século XVII, de losetas azuis e brancas. A sua fachada é modesta, no entanto, apresenta na edícula um baixo relevo, em calcário de Ançã, representando Nossa Senhora das Misericórdias, de qualidade superior aos retábulos, datada de 1540 (provavelmente reaproveitada): assente sobre um plinto, encontra-se de mãos postas e de manto aberto, elegantemente sustentado por dois anjos, abraçando as várias figuras civis e eclesiásticas que, prostradas a seus pés e genuflectidas, se encontram em atitude de profunda veneração (à direita da Virgem um papa, um cardeal, um bispo e outros dois dignatários da igreja; à esquerda os representantes da nobreza, em que se evidenciam um imperador, um monarca e três membros da fidalguia. A ladeá-la estão as duas janelas setecentistas, ao gosto barroco, que iluminam o coro alto e a nave. É encimada por um triângulo, no qual figura o Padre Eterno. O portal é de arco entre pilastras jónicas e entablamento, todo desadornado, com porta de madeira de castanho almofadada. Neste inseriram um escudo nacional setecentista. Delimitada lateralmente, no prolongamento dos cunhais de cantaria, por duas esferas, a empena do frontespício é rematada por uma elegante cruz latina assente sobre pedestal, tudo em cantaria (aqui colocada em 1739, da lavra de José Coelho, de Santo Varão). A anteceder a frontaria da igreja, em plano inferior ao da estrada, emerge um adro em lajeado que, limitado por um muro (sobre este assenta um degrau de pedra lavrada com gradeamento de ferro forjado, entremeado por nove pequenas colunas em cantaria) se abre para o exterior através de cinco degraus que dão acesso a um pequeno portão, também em ferro forjado, que fica em frente à porta principal do edifício.

Nota Histórica Pormenorizada:

Apesar de não existir qualquer informação relativa ao início das obras sabemos, através do cronista montemorense António Correia da Fonseca e Andrade, que, em 1715, existia no pórtico da igreja uma pequena tarja, com a data do fim da obra - 1555. Edificada na entrada sul da vila, este templo confrontava a norte com a vala que atravessava a vila em todo o seu comprimento e a sul com o rossio onde se realizavam as feiras anual, e mais tarde, quinzenal. Por se encontrar implantado numa zona baixa e por os terrenos e ruas contíguas lhe estarem num plano superior era, todos os anos, vítima das inundações do Rio Mondego, que causavam estragos, por vezes, irreparáveis. Sofreu obras nos séculos XVIII e XIX. A Direcção-Geral de edifícios e Monumentos Nacionais realizou, ao longo do nosso século, diversas obras: 1956 - reconstrução da cobertura, consolidação dos retábulos, da abóbada e das paredes da capela-mor; 1957 - reparação do retábulo da Capela-mor e do lajeado da nave; 1961 - beneficiação da sacristia e do adro; 1967 - reparação de portas e janelas; 1988 - obras de recuperação; 1993/1994 - obras de recuperação; 1995 - obras de consolidação e restauro do revestimento azulejar.

Bibliografia:

CORREIA, Vergilio - "Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p. 139; MATOS, João Cunha - "Montemor-o-Velho", Coimbra, Epartur, 1977, p. 40-42; CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos - "Terras de Montemor-o-Velho", Coimbra, 1992, p. 189-190; GÓIS, A. Correia-"Concelho de Montemor-o-Velho. A terra e a gente", Montemor-o-Velho, 1995, p. 127-128;

 

 

 

 

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