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Designação:
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Igreja de S. Martinho (Matriz)
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Tipologia:
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Arq. religiosa, gótica, maneirista
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Localização:
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Coimbra, Montemor-o-Velho, Montemor-o-Velho
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Autoria:
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Desconhecido
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Classificação:
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IIP, Desp. 12 Agosto 1996
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Época:
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Ano:
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12/13/14
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Utilização Inicial:
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Utilização Actual:
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Cultual e devocional
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Cultual e devocional
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Descrição:
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O templo insere-se no gótico simples e austero de tipo regional, com alterações posteriores: arco cruzeiro maneirista, torre sineira tipo setecentista, retábulos laterais maneiristas e retábulo colateral Sul barroco, túmulo de Luis Pessoa (Capela do Baptistério) manuelino (arcossólio e colunelos), sendo o jacente já do tipo renascentista (decoração das cotoveleiras).
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Nota Histórica:
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É actualmente a Igreja Matriz de Montemor. A lenda faz recair a sua fundação num mosteiro beneditino, fundado por um companheiro do Abade João. É certamente anterior a 1130. Data de 1195 a primeira referência escrita, onde esta igreja aparece como a do arrabalde (extra-muros). O edifício actual data de finais do séc. XIII e inícios do XIV. Em 1880, fizeram-se obras que desvirtuaram o templo.
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Observações:
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Em 1880, foram feitas alterações na fachada e no interior que desvirtuaram o edifício inicial. Ampliação recente, a norte, também dissonante e obras de manutenção mal executadas.
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Descrição Pormenorizada:
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Planta longitudinal composta, nave única, capela-mor rectangular com torre sineira quadrada adossada a Este e sacristia a Norte, baptistério a Norte da nave. Volumes articulados, cobertura diferenciada em telhado de 2 águas na nave e capela-mor, de uma água no baptistério. Fachada principal orientada, de pano único definido por parastáticas munidas de plintos e ábacos moldurados rematados por urnas; portal rectangular e janelão rectangular central de jambas prolongadas abaixo do peitoril moldurado em frontão recortado invertido; sobre a verga lápide de pedra com inscrição; remate em frontão de lanços arquitravado coroado por cruz de Cristo em pedra. Fachada lateral Norte de 2 panos divididos por contraforte de 3 degraus; no 2º pano o corpo do baptistério rasgado de pequena fresta na face Oeste. Fachada lateral Sul de 4 panos definidos por contrafortes, idênticos ao anterior (um deles com um relógio de sol inciso), erguendo-se sobre murete corrido. No 1º pano, ao centro, porta rectangular, semelhante à principal, sobreposta de lápide de pedra com inscrição em caracteres medievais; no 3º pano janelão rectangular de lintel curvo com pedra de chave saliente; no 4º pano pequena pedra com inscrição medieval. Capela-mor de dois panos, a Sul definidos por contraforte, idênticos aos anteriores, sendo o 2º rasgado por janela de verga curva. Torre sineira de dois andares, com cornija arquitravada divisória, o 1º rasgado superiormente por olhos de boi nas faces Este, Oeste e Sul e por porta rectangular a Norte com acesso por escada de patamar e varanda de grades, adossada à face Este da sacristia; piso superior de parastáticas, munidas de bases e capitéis inseridos na cornija de remate, rasgado de 4 janelões sineiros em arco de volta redonda; cobertura coroada nos ângulos por urnas e ao centro por cimeira quadrangular. Interior: espaço diferenciado iluminado pelo janelão da fachada Oeste e pela janela que ocupa toda a largura do 4º tramo a Sul; nave de 8 tramos rectangulares definidos por arcos torais de volta quebrada descarregando em pilares de secção quadrangular adossados aos muros munidos de ábacos continuados pela cimalha; o pilar de descarga do último arco a Sul limita-se a um único bloco de pedra funcionando como mísula. Nos dois primeiros tramos da nave o coro-alto, de madeira e varandim de balaústres, com acesso por escada NE. No 3º vão a Norte arco de volta redonda, munido de portão de ferro, abrindo para o baptistério / capela de Santa Catarina de 2 tramos definidos por arco toral descarregando no muro fundeiro por mísula em chanfro; no 1º tramo o túmulo de Luís Pessoa; no 2º tramo antipêndio revestido de azulejos aqui reaproveitados. No 6º vão Norte da nave púlpito de madeira sobre base piramidal de mármore, com acesso por porta rectangular; no 7º vão porta de comunicação com a sacristia através do corpo anexo à fachada Norte do templo; no interior daquele, vão em arco de volta redonda, de cantaria aparelhada, parcialmente encoberto pelo pé direito dos muros. No 7º vão Sul da nave altar colateral de talha dourada. Arco triunfal de volta perfeita, altares laterais de pedra; na capela-mor de dois tramos porta de comunicação com a sacristia e janelão de verga trabalhada na face Sul; retábulo-mor de madeira com portas de comunicação para o muro fundeiro da capela onde se vê fresta ogival entaipada. Coberturas em abóbada de berço quebrado na nave, baptistério e capela-mor. Nas paredes do corpo existem catorze pequenos quadros com a temática da Via Sacra.
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Nota Histórica Pormenorizada:
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Segundo a lenda, no séc. IX, fundou-se o convento beneditino de São Martinho pelo Abade João do Mosteiro do Lorvão ou pelo Padre Arhgar, construído, provavelmente, no local onde se encontra a actual igreja, que teria sido sua capela. Data de 1130 a provável fundação da igreja segundo lápide da fachada Sul. Em 1195, foi passada carta de doação por D. Sancho I ao abade de Alcobaça e Ceiça da Herdade da Barra ressalvando o domínio útil dos dízimos e coroa pastoral da Igreja de São Martinho. A 1 de Setembro de 1239, o bispo de Coimbra, D. Tibúrcio e D. Teresa travaram uma contenda pela posse da igreja, arbitrada e solvida após intervenção dos crúzios de Santa Cruz de Coimbra. Em 1285, o cónego da Sé de Coimbra, João Guilherme Chancino, deixa em testamento verbas para se levantar a igreja. Deve tratar-se da reconstrução e não de edificação. Em 1286, D. Dinis doa o Padroado das igrejas da vila a sua irmã D. Branca. Em 1355, D. Afonso IV doa a Igreja de São Martinho ao padroado do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra. Em 1357, D. Pedro I confirma a doação. Em 1362, a igreja aparece documentada. Em 1369, foi instituída a capela dos Coutinhos por Afonso Vasques. No séc. XVI, foram executados os altares laterais da igreja e o túmulo de Luís Pessoa, cavaleiro da Casa Real, falecido em 1531 e de sua mulher e sobrinha D. Mécia Quaresma Costa falecida em 1524 / 1529. De 1596 é o túmulo de Diogo Zuzarte já no altar de Santa Luísa. Em 1715, Manuel Pessoa de Sá e Cunha, fidalgo da casa do Rei, era administrador da capela de Santa Catarina. Nesse ano existia ainda a capela dos Pinas que pertenceu primeiro a Afonso Briam. Em 1860, foi construído o portão de ferro no adro da igreja. Em 1880, segundo uma lápide na fachada Oeste, fizeram-se reformas na igreja (não confirmadas porém em Diário do Governo). Ter-se-ia então alterado a fachada principal e o interior (arco cruzeiro, elevação do pavimento da igreja que se encontraria ao mesmo nível do baptistério); construção da torre sineira; pintura do retábulo-mor e das imagens do retábulo lateral Norte. Em 1923, o Prior Augusto Nunes Pereira põe a descoberto o arcossólio e a estátua jacente que se encontravam revestidos de pedra e cal.
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Bibliografia:
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LEAL, Pinho- "Portugal Antigo e Moderno", vol. V, Lisboa, 1875; LIMA, Baptista de- "Terras Portuguesas", vol. III e IV, Póvoa do Varzim, 1935; MADAHIL, A. G. Rocha- "Livro das Vidas dos Bispos da Sé de Coimbra", Coimbra, 1942; CORREIA, Vergilio- "Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p. 134-135; MATOS, João Cunha- "Montemor-o-Velho, sua História e Arte", Coimbra, 1977; DIAS, Pedro e REBELO, Fernando- "Coimbra e Região", Coimbra, 1978; DIAS, Pedro- "História da Arte em Portugal - O Gótico", vol. 4, Lisboa, 1986; BORGES, Nelson Correia- "Coimbra e Região", Lisboa, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de- "Tesouros Artísticos de Portugal", Porto, 1988; MACEDO, Francisco Pato de - "Arquitectura gótica na bacia do Mondego nos séculos XIII e XIV", Coimbra, FLUC, 1988, p. 20-27; CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos- "Terras de Montemor-o-Velho", Coimbra, 1992, p. 177-189; GÓIS, A. Correia-"Concelho de Montemor-o-Velho. A terra e a gente", Montemor-o-Velho, 1995, p. 120-127.
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