Designação:

Antigo Hospital de N. S.a de Campos e Misericórdia

Tipologia:

Arquitectura civil, manuelina, barroca

Localização:

Coimbra, Montemor-o-Velho, Montemor-o-Velho

Autoria:

Gaspar Ferreira (alteração da frontaria)

Classificação:

Época:

Ano:

16/18

1504

Utilização Inicial:

Utilização Actual:

Hospitalar e assistencial

Hospitalar e assistencial

Descrição:

Do edifício é de salientar a fachada, reconstruída no século XVIII. A porta, enquadrada por pilastras, está ligada ao piso superior por uma grande sacada, rematada por uma cabeceira com o escudo nacional. Sobre os vão baixos inseriram um escudo e uma esfera armilar quinhentista. A ladear a sacada estão dois nichos. A parte lateral tem alpendre com colunas dóricas quinhentistas e uma pintura com Cristo Crucificado.

Nota Histórica:

Data das reformas hospitalares do país feitas por D. Manuel no século XVI. Posteriormente, foram-lhe anexadas outras confrarias. Sofreu profundas reformas desde o século XVIII. Por despacho ministerial de 17 de Janeiro de 1893, foi decretada a sua anexação à Misericórdia. Actualmente, funciona como Lar de Idosos da Misericórdia de Montemor-o-Velho.

Observações:

Pouco resta do edifício primitivo, devido às alterações que sofreu desde o século XVIII.

Descrição Pormenorizada:

Planta rectangular segundo eixo transversal S-N, com acesso a E e alpendre a N. Cobertura diferenciada, em telhado de quatro águas na volumetria principal e três águas no alpendre. Fachada principal de pano único, enquadrado por cunhais robustos e planos munidos de plinto e toro na base, sobrepujados por cornija; dois registos sobrepostos divididos por moldura plana e lisa de cantaria, rasgados cada um por três vãos: registo inferior com porta principal de verga curva, enquadrada por pilastras rematadas por mísulas em voluta, suportando entablamentos dispostos perpendicularmente à fachada, com porta guarnecida por portão em ferro tendo inscrita a data "1498". Ladeiam o pórtico duas portas rectangulares munidas de frontão angular interrompido, o da esquerda pelo escudo nacional com coroa, o da direita pela esfera armilar. No piso superior três janelas de sacada de verga curva, munidas as laterais de varandim de ferro, a central de varanda com balaústres apoiada na estrutura do pórtico principal. Frontões curvos nos vãos laterais, angular o central, tendo o tímpano o escudo régio. Ladeiam esta janela dois nichos munidos de vidraça, contendo o da esquerda uma pequena escultura da Piedade. A fachada lateral S. é de pano único, simples e dividida em dois registos: no inferior, uma pequena janela rectangular colocada praticamente no limite da altura deste piso; no superior, janela de sacada igual às laterais da frontaria. Na fachada lateral N. encontra-se uma escada com alpendre de colunas toscanas quinhentistas que dá acesso ao primeiro andar. Por baixo do alpendre, a parede recua em meia esquadria, adaptando-se à rua que é estreita. Entre as duas colunas maiores do alpendre (que servem de entrada), está um portão baixo em ferro, bastante trabalhado, frente a um nicho emoldurado com pintura mural figurando Cristo Crucificado. O acesso faz-se através de uma escadaria de quatro degraus curvos e cobertura interior do alpendre em madeira. O interior foi demolido encontrando-se instalada uma estrutura com peças de arte sacra pertencentes à Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho.

Nota Histórica Pormenorizada:

A 9 de Janeiro de 1501, D. Manuel alargou o compromisso que dera à Confraria de S. Pedro e dos Clérigos à Confraria de Nossa Senhora de Campos, deslocando-se, pouco tempo depois, a Montemor-o-Velho para a inauguração do hospital desta confraria. Na fachada primitiva, entre as janelas, estava uma inscrição: "Esta obra mandou fazer o excelente rei D. Manuel, o primeiro, a 18 de Outubro do ano de 1504, que devia, quando aqui esteve, mandar se fizesse". A 2 de Junho de 1744, estava pronta a assentar uma tribuna para a capela do hospital. A 9 de Junho do mesmo ano, foram chamados António Alves (pedreiro) e José Baptista Quinteiro (carpinteiro) para darem conta do estado do edifício. Estes afirmaram que a parede que ia do cunhal da janela na parte extrema da parede para o lado do rio até ao lado da sacristia ameaçava ruína e encontrava-se inclinada para a rua cerca de dois palmos, apresentando ainda algumas rachas. Afirmaram também que a tribuna que se pretendia assentar no lugar do altar da capela iria fazer mais peso do que este na parede, já arruinada, aconselhando que se reformasse primeiro a parede, o arco e o forro e depois se colocasse a tribuna. A 3 de Abril de 1745, decidiu-se chamar um arquitecto para efectuar as obras que a capela necessitava, em vez de se fazerem apenas alguns reparos. A tribuna foi colocada em 1745 ou 46, ao passo que a obra da frontaria só teve início em 1752. O altar e a tribuna foram encostados à parede voltada para poente (na posição oposta à primitiva), inutilizando uma janela manuelina (ainda aqui se conservavam em 1936). A 10 de Julho de 1751, foi reedificada uma parede e procedeu-se à limpeza dos painéis. A obra da frontaria só foi decidida a 15 de Julho de 1751, tendo sido pedido a vários mestres que apresentassem os seus projectos. O primeiro risco foi feito por José de Brito, de Verride, e o segundo, definitivo, pelo arquitecto Gaspar Ferreira, de Coimbra. Este recebeu por esta tarefa 12.800 réis e o primeiro, pelo risco do madeiramento da obra, 1.200 réis. Gaspar Ferreira ficou ainda encarregue de dirigir a obra, pelo que recebeu 9.600 réis. A obra foi arrematada por João Domingues, de Verride, pela quantia de 595.000 réis. A 16 de Julho de 1752, como João Domingues não apareceu com o seu fiador, foi a obra novamente posta em arrematação, tendo sido arrematada por João Alves. Ignora-se quando terão sido concluídas as obras de pedreiro. Sabemos que a 28 de Novembro de 1754 só faltava acabar as cimalhas das portas que iam da varanda e um enxamel com três portas para a capela. A 10 de Dezembro do mesmo ano foram postas em arrematação as grades de ferro para as três janelas rasgadas: duas na frontaria principal e uma na fachada virada para o lado do rio. Foram arrematadas por 48.000 réis, desconhecendo-se o seu arrematante. O compromisso inicial da confraria foi substituído pelos estatutos de 25 de Outubro de 1895, aprovados pelo alvará do Governo Civil de Coimbra de 13 de Maio de 1896, pelos quais passou a reger-se a Confraria de Nossa Senhora de Campos e Misericórdia. Estes estatutos foram ainda várias vezes alterados até à actualidade. Em 1932, estava concluído um novo edifício, uma vez que este já não tinha condições, tendo sido adaptado para Lar de Idosos.

Bibliografia:

PEREIRA, Augusto Nunes - "Curiosidades de Montemór-o-Velho", em "Renascença", n.º 94, 15/02/1935; CORREIA, Vergilio- "Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p. 139; CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos- "Terras de Montemor-o-Velho", Montemor-o-Velho, 1992, p. 198, 200-202 ; GÓIS, A. Correia-"Concelho de Montemor-o-Velho. A terra e a gente", Montemor-o-Velho, 1995, p. 228-229.

 

 

 

 

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