Designação:

Igreja de Santa Maria da Alcáçova

Tipologia:

Arq. religiosa, gótica, manuelina

Localização:

Coimbra, Montemor-o-Velho, Montemor-o-Velho

Autoria:

Francisco Pires (reforma do século XVI), (atrb.)

Classificação:

MN, Dec. 16 de Junho 1910, DG 136 de 23 Junho 1910

Época:

Ano:

11/12/16

1090

Utilização Inicial:

Utilização Actual:

Cultual, devocional

Devoluto, cultural

Descrição:

Composição estrutural simples, com três naves de cinco tramos e três capelas absidais. Nave central levantada, sem janelas acima das arcadas. Cabeceira de composição complexa: arcos abertos entre as capelas laterais e a mor, em plano, dão a aparência de um transepto.

Nota Histórica:

Localizada próximo do muro interior do castelo, para a parte sul. É de invocação a Nossa Senhora da Assunção. Foi mandada edificar em 1090, pelo Presbítero Vermudo, por ordem do Conde D. Sesnando. Foi reedificada definitivamente no primeiro quartel do século XVI, obra atribuída ao arquitecto Francisco Pires, sob a ordem do bispo-conde D. Jorge de Almeida.

Observações:

As reconstruções e acrescentos que se realizaram ao longo de vários séculos alteraram a sua traça primitiva.

Descrição Pormenorizada:

Composição estrutural simples, com três naves de cinco tramos e três capelas absidais. Os cinco arcos de cada arcada são quebrados, quase equiláteros, simples e chanfrados. Colunas de fuste formado por quatro colunelos em movimento helicoidal, à excepção do primeiro par, a contar da porta, em que são octógonos e direitos e as respectivas bases e capitéis mais simples. Nave central levantada, sem janelas acima das arcadas. Cabeceira de composição complexa: arcos abertos entre as capelas laterais e a mor, em plano, dão a aparência de um transepto; pilares compostos, como sendo a reunião de quatro dos da nave e os três frontais têm a mesma composição de enrolamento das colunas. As três ábsides são semi-circulares, com as paredes externas em quase continuação das laterais das naves. Capela-mor e colateral do Evangelho cobertas de abóbada de berço e quarto de esfera, simples, sem arcos de reforço (românico condal do 1º terço do século XII). Na parte curva da capela-mor, dois pequenos óculos com ornato flamejante. A capela da Epístola tem cúpula dividida em quartelas. As paredes seguem em parte do comprimento da igreja o traçado antigo, podendo ter sido esta acrescentada cerca de dois tramos. Junto à parede da fachada há mísulas decoradas com folhagem. Frontaria com porta de arco quebrado (ogival), de dois colunelos e breves capitéis, acompanhados de molduras finas, cujos perfis se continuam nos arcos. Sobrepõe-se-lhe um óculo pequeno (rosácea), de bastantes molduras concêntricas. Acima da porta crava-se o brasão de D. Jorge de Almeida. Campanário angular, com torre baixa, no cunhal direito, de quatro faces, que descem internamente até ao solo, com tambor saliente da escada de acesso. Primitivamente a torre tinha só duas faces do cunhal, entre as quais se crava o novo brasão daquele bispo. A meio da parede direita, porta travessa, com arco em forma de sanefa, de influência mourisca, com monograma FP, encimada por outro brasão do mesmo prelado, com legenda. Tem duas janelas de cimo arredondado. Porta da sacristia de verga lobulada, na parede norte, junto ao absidíolo; quadra ampliada, conservando janela manuelina, de verga rebaixada. As Memórias Paroquiais de 1758 fazem referência a algumas imagens que existiam no altar-mor (S. Bento, S. Mateus, S. Bartolomeu e S. Benedito), que desconhecemos o seu paradeiro. Faz ainda alusão à existência de uma capela (para além das três absidais), instituída por Maria de Brito, com Nossa Senhora da Assunção e o Santo Apostolado no altar e as imagens de S. José e S. Nicolau, que vieram de uma capela situada ao norte da vila e que se encontrava muito arruinada. Tem três retábulos com imagens, pias de água benta, púlpito, pia baptismal, nicho, azulejos, pinturas murais, lápides tumulares e inscrições.

Nota Histórica Pormenorizada:

É de invocação a Nossa Senhora da Assunção, que provem da associação que o povo devoto fez da antífona "Ó Sapinentia... Ó Adonai...", introduzida pelo reforço do vocativo e cantada de 17 a 24 de Dezembro de cada ano, com a iconografia da Senhora. Por tudo isto, esta igreja tornou-se centro de romarias periódicas. Foi mandada edificar em 1090, pelo Presbítero Vermudo (ele próprio afirmou que a ergueu desde os alicerces), por ordem do Conde D. Sesnando, com a condição de metade das rendas dela ficarem pertencendo à Sé de Coimbra, no tempo do Bispo D. Crescónio. Depois de concluída a igreja, foi lavrada a escritura de doação dessa metade está datada de 24 de Dezembro de 1095. Reza a tradição, que esta igreja foi trasladada de um monte, situado a noroeste da vila cerca de "tres tiros de espingarda", onde se conservavam vestígios da Igreja de S. Gens. Um dos primeiros priores foi Turtusendo a quem sucedeu o presbítero Soeiro. Este exerceu o priorado durante 6 anos, deixando ao abandono as propriedades e a igreja (em que ruiu o tecto). Custou-lhe avultada indemnização e a perda do padroado, restituído apenas a 22 de Julho de 1103 pelo bispo de Coimbra, D. Maurício Burdino, juntamente com a Igreja de S. João. A igreja foi reedificada no primeiro terço do século XII e sagrada entre 1128 e 1131 (conforme consta na inscrição), no priorado de D. Sisnando, sagração realizada pelo Bispo D. Bernardo. Aquele prior deixou a Igreja de Alcáçova no momento da fundação do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde ele continuou a sua vida de fé. Em 1245, por deposição do rei D. Sancho II pelo Papa Inocêncio IV, o Bispo D. Tibúrcio, com alguns cónegos da Sé, sentindo-se pouco seguros em Coimbra, refugiaram-se na alcáçova do castelo e estabeleceram-se junto à Igreja. Por morte, D. Tibúrcio foi sepultado neste templo. Também aqui se reuniram os capitulares para elegerem o novo Bispo que lhe sucedeu: D. Domingos ou Mestre Domingos, também ele falecido nove meses após a eleição, sem que fizesse a entrada solene na catedral. D. Afonso III ordenou que os restos mortais de D. Tibúrcio fossem levados para a Sé Velha de Coimbra, em condigno sepulcro, mandado fazer pelo próprio soberano. Em recompensa, este monarca renovou a doação, ao Bispo D. Egas Fafes, do padroado que lhe competia tornando-a colegiada, que o transmitiu ao Cabido. Este templo sofreu algumas reformas em 1285, como refere o testamento de João Guilherme Sancino. Foi reedificada definitivamente no primeiro quartel do século XVI, obra atribuída ao arquitecto Francisco Pires, sob a ordem do bispo-conde D. Jorge de Almeida, que aproveitou para as alvenarias o material da demolição, tendo-se empregado mesmo no 1º arco à direita uma lápide fúnebre da Era de 1230. No século XVIII, ainda tinha a irmandade do Santíssimo Sacramento e, como filiais, as vigararias de Reveles, Alfarelos, Santo Varão, Meãs e o curato do Seixo. Manteve-se igreja colegiada até à data da sua extinção, em finais do século XIX e detinha um pároco, 5 beneficiados e um tesoureiro. A igreja foi paroquial desde sempre, sendo a última consagração datada de 30 de Julho de 1874, por Decreto de D. Manuel Correia de Bastos Pina, que une as duas paróquias numa só: Santa Maria de Alcáçova e São Martinho, com sede nas duas igrejas. O edifício sofreu obras pelo Ministério da Guerra e depois pelos Monumentos Nacionais (1933): empreitada no valor de 538.000$00, constando de trabalhos de consolidação de colunas, envernizamento de portas, vedações de caixilhos e reparações de janelas, colocação de grades de ferro de protecção na sacristia, etc. 1962 - Reparação da cobertura e pavimento da Igreja; 1963 - Colocação de portas e janelas; 1969 - restauro de cantarias da Igreja; 1986 e 1994 - obras de beneficiação.

Bibliografia:

CORREIA, Vergílio e GONÇALVES, A. Nogueira-"Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p.131-134; TEIXEIRA, Maria Elda - "A população da freguesia de Santa Maria de Alcáçova de Montemor-o-Velho no período de 1676-1775", Coimbra, FLUC, 1969, p. 21-23; MATOS, João Cunha-"Montemor-o-Velho. Sua História.Sua Arte", Coimbra, 1977, p. 24-30; CONCEIÇÃO A. Santos -"Terras de Montemor-o-Velho", Montemor-o-Velho, 1992 (re-ed.), p. 87-95; p. 24-30; GÓIS, A. Correia-"Concelho de Montemor-o-Velho. A terra e a gente", Montemor-o-Velho, 1995, p. 134-140; DIAS, Pedro - "Montemor-o-Velho, Pereira e Tentúgal-levantamento do património histórico-arquitectónico", p. 50; "Comemoração dos novecentos anos da igreja de Santa Maria da Alcáçova", Montemor-o-Velho, 1995, p. 7-40; "Livro Preto da Sé de Coimbra", 1977, p. 75-76.

 

 

 

 

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