Designação:

Convento de Nossa Senhora do Carmo

Tipologia:

Arq. Religiosa

Localização:

Coimbra, Montemor-o-Velho, Tentúgal

Autoria:

Gerónimo Francisco (risco) Tomé Velho (obra)

Classificação:

Em processo de classificação.

Época:

Ano:

16/17

1565

Utilização Inicial:

Utilização Actual:

Cultual e devocional

Cultual e devocional (igreja)

Descrição:

Era constituído inicialmente por diversos corpos que constituíam a igreja, a casa conventual, a hospedaria, a cerca, etc. Actualmente, mantêm-se a Igreja, a portaria com a roda dos expostos, dois coros, o superior e o inferior, alguns corpos já muito alterados e a cerca.

Nota Histórica:

Este convento foi fundado no século XVI, com rendimentos da Confraria de S. Pedro e S. Domingos, legados do Conde de Tentúgal e outros beneméritos, tendo-se as obras prolongado por muito tempo. O seu património foi delapidado com as invasões francesas. Foi extinto em 1834, mas as freiras permaneceram aqui até à morte da última em 1898.

Observações:

Parte do edifício foi demolido para a instalação de uma escola primária, mantendo-se a igreja, a cerca, parte da portaria e alguns corpos.

Descrição Pormenorizada:

Inicialmente, o Convento ocupava uma área considerável e era constituído por vários corpos díspares, sem claustro. A ligação de cornijas e de cunhais nas fachadas da igreja e da portaria mostra que estas partes foram concebidas e realizadas com harmonia arquitectónica. Actualmente, conserva-se a igreja, a portaria (incompleta) e quase toda demolida a parte dos dormitórios. A fachada principal mostra, à esquerda a portaria, e em plano mais avançado a igreja. A portaria tem entrada rectangular, ladeada por pilastras, com um nicho no remate, com uma escultura de Santa Teresa. Às frestas deitadas das lojas seguem-se as janelas de entresolho e as grandes do andar nobre. No ângulo do edifício destaca-se, acima da cimalha, o mirante de desafogo, com as rótulas de pedra. O interior da portaria apresenta a roda conventual e restos de azulejos polícromos. A parte que resta da parede perpendicular do convento é de tipo utilitário. A fachada da igreja aparece dividida por pilastras em dois tramos: o dos coros, de janelas simples, e o do corpo, rasgando-se neste o portal entre duas altas frestas. O portal, rectangular entre pilastras dóricas, é rematado por um nicho com uma Santa Teresa de pedra e ladeado por dois altos pináculos. Os batentes, de fortes almofadados e pregaria, são bons exemplares de seiscentos. Tanto o corpo como a capela-mor são abobadados de pedra, em quartelas com bocetes decorados nos claros. A capela-mor foi a primeira a estar concluída, talvez antes de 1616. O arco cruzeiro, de molduras e ornatos clássicos, é bem concebido. Ao lado esquerdo da capela-mor encontra-se a janela gradeada do comungatório, ladeada de dois postigos. Os retábulos, de madeira, são da 2ª metade do século XVIII, de ornatos concheados: o mor, de tribuna central e duas colunas laterais; os outros só de duas colunas. As esculturas são obras correntes da mesma época. Envolve a igreja um alizar de azulejos polícromos, de tapete, de fabrico de Lisboa, do século XVII. A pequena torre levanta-se ao lado do coro e ao oposto da rua. É do final do século XVIII (1800), com cobertura oitavada, revestida de azulejos polícromos do século XVII. Os coros abrem-se para a igreja por duas grandes janelas rectangulares sobrepostas, com grades de ferro, sendo duplas as inferiores. No coro de baixo encostam-se à paredes quatro pequenos retábulos ou nichos dos séculos XVII e XVIII. O coro de cima tem cobertura de madeira, em forma de gamela, repartido em painéis, sendo o central reborado de um largo rótulo em relevo, do século XVII. O cadeiral é singelo, seiscentista. A cerca ocupa uma área de vegetação onde se inclui uma azenha, desactivada (que foi incendiada) onde ainda restam alguns azulejos e uma fonte, em avançado estado de degradação.

Nota Histórica Pormenorizada:

Esta casa monástica tem a sua origem na Confraria de S. Pedro e S. Domingos de Tentúgal. Esta confraria possuía avultada extensão de terras cujos rendimentos eram aplicados na satisfação de obrigações da comunidade (entre elas a celebração de três missas diárias na Ermida com o mesmo nome). O sobejo desses rendimentos eram aplicados em esmolas de géneros e espécies aos mais pobres da vila. Contudo, muitas vezes estas verbas eram aplicadas de forma menos escrupulosa, beneficiando quem não tinha necessidade. Assim, em certa ocasião reuniram-se todos os regedores da Confraria e determinaram, por comum acordo, aplicarem as rendas da Confraria na fundação de um convento de freiras da Ordem de S. Domingos, por ser padroeiro da mesma confraria, com a condição de que se retirasse parte para os pobres, missas e reparação do hospital. Depois deste acordo, pediram ao Papa e a D. Sebastião que deferissem a petição e mandassem passar as suas bulas e provisões, tendo ambos assinado estes documentos. A data da fundação deste convento é controversa, sendo a mais provável recair no ano de 1565, uma vez que apesar da boa vontade dos irmãos da confraria em fundarem um convento da ordem de S. Domingos, o seu desejo nunca foi realizado. Só mais tarde, algumas pessoas de maior influência de Tentúgal determinaram a fundação de um convento de religiosas do Carmo e por isso solicitaram as bulas papais necessárias. E foi este que foi construído. Os beneméritos lançaram a primeira pedra a 8 de Setembro de 1565, data comemorativa do nascimento de Nossa Senhora, que ficou sua padroeira. O convento foi edificado na Ermida de S. Pedro e S. Domingos, sendo provável que o primitivo edifício da igreja do convento fosse mesmo esta ermida. A Confraria cedeu a ermida mediante o pagamento de 150 cruzados para edificar a Misericórdia. O Conde de Tentúgal, D. Francisco de Melo, assumiu os direitos de padroado, apresentando as primeiras 15 freiras que iriam ocupar o convento. Estas proveriam outras 15 para perfazer o número de ocupação total do convento. As primeiras religiosas entraram no convento a 8 de Setembro de 1572 (algumas delas vieram do Convento da Esperança de Beja). A construção e a manutenção desta casa conventual fez-se a expensas das rendas da Confraria, a legados do instituidor, o Conde de Tentúgal, e aos dotes das religiosas que a iam integrando. Apesar disso, as despesas eram muitas e as religiosas viveram com graves dificuldades. Queixaram-se, então, ao Provincial que solicitou a D. Filipe auxílio para elas, o qual, por alvará de 10 de Outubro de 1596, concedeu grandes benefícios em matéria de mantimentos. Devido à falta de verbas a construção foi irregular e prolongada. O edifício actual é uma reforma do século XVII, significando a data da porta da igreja (1633) e a de 1632 num friso interior o início daquela reforma e principalmente em relação à igreja. A data de 1693, que se via na cruz do remate da ala lateral, deveria corresponder ao fim das obras da parte conventual. As religiosas viveram sempre com grandes dificuldades, como é exemplo a situação em que se encontravam em 1816: caíram os muros da cerca, tinham entregue todas as preciosidades de ouro e prata que ornavam a igreja para contribuição de guerra, foram despojadas com os roubos das invasões francesas. Consequentemente, pediram ajuda à Duquesa do Cadaval que as isentou do pagamento de alguns impostos e as beneficiou com algumas rendas. Em 1834, este convento foi extinto conforme decreto governamental, permitindo-se, no entanto, às religiosas a permanência no convento até à morte da última freira, que ocorreu a 18 de Fevereiro de 1898.

Bibliografia:

CORREIA, Vergilio -" Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra", Lisboa, 1952, p. 151-152; NEVES - Orquídea Pereira das - "Subsídios para a história do Convento de Tentúgal", Coimbra, FLUC, 1963 (policopiado); CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos - "Terras de Montemor-o-Velho", Coimbra, 1992, p. 325-326; Góis, A. Correia - "Concelho de Montemor-o-Velho. A Terra e a Gente", Montemor-o-Velho, 1995, pp. 162-165 e 232-233.

 

 

 

 

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