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Capela de S. João


Existem referências a esta capela e ao prior Soeiro que a tinha
com Santa Maria, em 1103. Está ligada a um poema épico do Abade
João. A 11 de Março de 1251, Inocêncio IV expediu a Bula "sua
nobis", dirigida ao bispo de Viseu, para obrigar os priores de
várias igrejas da diocese de Coimbra, entre elas a de S. João de
Montemor, a pagar ao bispo as procurações que lhe deviam "ratione
visitationis". Era assim designada no "Catálogo de todas as
igrejas, comendas e mosteiros que havia pelos anos de 1320 e
1321" e a sua lotação era de 40 libras. Desde o século XII que
tinha presbítero. Consta ter sido mandada edificar, a primeira
capelinha, pelo Abade João, sob a invocação de S. João
Evangelista, no local onde costumava entregar-se a penitência,
sendo nela que este guerreiro celebrava as cerimónias de culto e
instigava os habitantes de Montemor a combater os mouros. Tempos
depois, esta capela teria sido arrasada, sendo construída outra
no mesmo lugar mais tarde. Foi-se arruinando com o passar dos
tempos. É tradição que a primitiva Virgem foi exposta ao culto,
nesta capela, em 848, depois da vitória do Abade João, dizendo
ainda que era invocando o seu nome que os defensores do castelo
combatiam:"Cerra, Cerra, por Santa Maria da Vitória!" - clamavam
os cristãos, ao manejar a adaga ou a lança, nas pelejas contra
os mouros ou na defesa do castelo. A provisão de D. João V, de
20 de Dezembro de 1746, que mandou que a Virgem Nossa Senhora,
com o atributo de Vitória, fosse invocada como padroeira de
Montemor, determinou também a reconstrução da capela.
Em Maio de 1852, a capela foi mais uma vez
reparada, tendo nela sido recebida, festivamente, a rainha D.
Maria II.
Em 1863, sofreu mais um restauro. A esta
capela está associada a festividade em honra da Senhora da
Vitória. Foi possivelmente em 1746 que se realizaram pela
primeira vez estes festejos e a última a 10 de Agosto de 1863.
Localizada na vertente norte do castelo. Está reduzida aos
alicerces de plano rectangular. Em 1995, as paredes internas
estavam revestidas com pinturas de motivos concheados da 2ª
metade do século XVIII. Em data incerta, o pórtico da frontaria
da capela foi substituído por um lindo pórtico renascença que,
apesar de estar em bom estado de conservação foi apeado no
último quartel do século XIX e as suas cantarias aplicadas como
pedras nas paredes de uma construção. Na mesma frontaria estava
embutida uma sepultura, com inscrição romano-gótica, de Pedro
Afonso, falecido no século XIII (provavelmente no Museu Machado
de Castro). Por cima da sacristia ficava um campanário, com uma
só sineta, as paredes interiores revestidas com pinturas a
fresco, cujo desenho é de estilo Luis XV. O retábulo tinha três
nichos e era de pedra. Na fachada do lado da Epístola, estava
colocada a lápide comemorativa do lendário sucesso da degolação,
local onde é tradição que ela se fizera e se operara o milagre
da ressurreição. Esta lápide foi mandada colocar em 1713 pelo
juiz de fora Gaspar Pimenta Avelar e pelos capitães Manuel de
Mendenha e Agostinho Couceiro Portugal e ainda pelo alferes
André Pessoa de Almeida.

Fonte: Roteiro
Medieval (Câmara Municipal)
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