Em função da precipitação muito significativa registada hoje, com valores excecionais, e das previsões para amanhã, que apontam para a manutenção do mesmo padrão de chuva intensa, bem como da capacidade atual da Barragem da Aguieira e do caudal do rio Ceira, existe um risco real de colapso dos diques no Baixo Mondego.
Estamos a atingir valores-limite da Obra Hidroagrícola, e a experiência vivida em 2001 e em 2019 mostra-nos que este é o momento de agir, de forma preventiva, responsável e focada na proteção da vida humana.
O risco é real. Mas estamos a atuar com tempo.
O Município tem estado continuamente no terreno, em articulação com todas as entidades competentes, e continuará a trabalhar durante toda a noite. A partir de amanhã, será necessária atenção máxima por parte de todos.
Este é um trabalho que está em curso há vários dias, num contexto complexo e exigente. Continuamos a trabalhar, a decidir e a monitorizar. Não desistimos.
Neste momento, a maior preocupação incide sobre a margem esquerda do Mondego, em particular nas localidades de Pereira, Santo Varão, Formoselha e Caixeira.
Algumas pessoas das zonas mais suscetíveis já se encontram em casa de familiares. As restantes, se for necessário, serão evacuadas de forma organizada e segura. Estão preparadas as Zonas de Concentração e Apoio à População (ZCAP) de Pereira, Ereira e Montemor-o-Velho, para dar resposta imediata caso seja necessária a retirada preventiva de pessoas em locais com potencial risco.
O que pedimos à população neste momento:
Neste momento, é fundamental que confiem na informação que estamos a transmitir.
Estamos a monitorizar a situação hora a hora, com todas as entidades no terreno.
Apelamos à serenidade de todos.
A prioridade absoluta é (e continuará a ser) proteger pessoas e salvar vidas.
Piso rodoviário escorregadio;
Possibilidade de cheias rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem;
Possibilidade de inundação por transbordo de linhas de água nas zonas historicamente mais vulneráveis;
Inundações de estruturas urbanas subterrâneas com deficiências de drenagem;
Dificuldades de drenagem em sistemas urbanos, nomeadamente as verificadas em períodos de praia mar, podendo causar inundações nos locais historicamente mais vulneráveis;
Danos em estruturas montadas ou suspensas;
Possibilidade de queda de ramos ou árvores em virtude de vento moderado/forte, bem como de afetação de infraestruturas associadas às redes de comunicações e energia;
Possíveis acidentes na orla costeira;
Fenómenos geomorfológicos causados por instabilização de vertentes associados à saturação dos solos, pela perda da sua consistência;
Há ainda que ter em atenção ao efeito conjugado da subida da maré e o aumento de caudais devido à precipitação prevista para as bacias, potenciando a subida da altura dos rios e o risco de inundações nas zonas urbanas.
Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;
Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível formação de lençóis de água e a existência de zonas de fraca visibilidade;
Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
Garantir uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a inundações rápidas;
Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos na orla marítima;
Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e Forças de Segurança.