Montemor-o-Velho evocou Monsenhor Nunes Pereira com tarde dedicada à poesia, à memória e à identidade

 

O Museu Municipal – Peregrinações, em Montemor-o-Velho, recebeu, no dia 21 de março, a apresentação da reedição da obra Da Terra e do Céu, numa iniciativa que assinalou o Dia Mundial da Poesia e homenageou Monsenhor Nunes Pereira, no âmbito das comemorações dos 120 anos do seu nascimento e dos 25 anos da sua morte.

O momento contou ainda com duas sessões complementares: “Uma Visita Poética”, protagonizada pelo teatro comunitário de Montemor-o-Velho, e apontamentos musicais interpretados pelo duo de violoncelo e piano, composto por João Vitória e Tiago Baptista.

Na sessão de boas-vindas, o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, destacou a escolha do museu como espaço simbólico, não só pelo seu valor patrimonial, mas também pela ligação ao homenageado. Recordou, nesse contexto, o período em que Monsenhor Nunes Pereira esteve no concelho, entre 1929 e 1935, onde iniciou a sua atividade sacerdotal e artística, tendo restaurado património, nomeadamente a capela-mor do Convento de Nossa Senhora dos Anjos. Foi também nesse período que publicou textos e desenhos e escreveu a sua primeira obra poética, Da Terra e do Céu.

O autarca sublinhou ainda que “este evento é uma oportunidade para reforçar os laços de cooperação com os municípios parceiros e com as instituições culturais que partilham este compromisso”, acrescentando que a iniciativa se afirma como “um momento de reconhecimento, de partilha e de valorização da memória, da arte e da cultura enquanto elementos centrais da identidade do concelho”.

Também o reitor do Seminário Maior de Coimbra, padre Nuno Santos, destacou a capacidade da obra de Monsenhor Nunes Pereira para evocar memórias, sons, imagens e sabores de outros tempos. Por sua vez, Virgínia Gomes, em representação do Museu Nacional de Machado de Castro, agradeceu ao Município o acolhimento da iniciativa, sublinhando a relevância do homenageado e recordando que “a simplicidade é uma das coisas mais difíceis de alcançar”.

Na apresentação da reedição da obra, Ana Maria Bandeira evidenciou que “a produção de Monsenhor Nunes Pereira reflete uma profunda ligação entre fé, arte e natureza”, destacando que a sua vocação artística e sacerdotal estiveram sempre interligadas, deixando às gerações futuras “um testemunho de arte e de fé”.

A encerrar a iniciativa, o teatro comunitário de Montemor-o-Velho recriou, em dois momentos distintos, uma visita do homenageado ao território, dando vida às personagens que marcam a sua obra. Seguiu-se uma visita guiada ao museu e um momento musical.

Recorde-se que esta iniciativa integra o programa comemorativo que decorre até ao final do ano, sob o lema “Nunes Pereira: do nascimento ao [re]nascimento”.

A comissão organizadora é constituída pelo Seminário Maior de Coimbra, pelo Museu Nacional de Machado de Castro e pelos municípios de Pampilhosa da Serra, Arganil, Góis, Lousã, Coimbra, Montemor-o-Velho e Cantanhede.

 

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