O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, apresentou em conferência de imprensa o balanço da situação hidrológica que afetou o concelho nas últimas semanas, classificando o episódio como “uma das situações mais exigentes que o nosso território enfrentou nos últimos anos no Vale do Mondego”.
Durante 22 dias de emergência ativa, foram registadas 88 habitações alagadas e 171 pessoas deslocadas, além de impactos significativos na atividade agrícola, no tecido empresarial e em infraestruturas estratégicas do concelho.
A freguesia da Ereira esteve isolada durante 14 dias, tendo sido assegurado transporte alternativo, abastecimento de bens essenciais, apoio social e acompanhamento permanente às populações. Nas freguesias de Pereira, Santo Varão, Tentúgal, Meãs do Campo, Carapinheira e nas uniões de freguesia de Montemor-o-Velho e Gatões e de Abrunheira, Verride e Vila Nova da Barca também se registaram danos relevantes e constrangimentos severos.
“Cada decisão teve impacto direto na segurança das pessoas e foi sempre esse o nosso foco”, sublinhou o autarca.
O setor agrícola assume-se como uma das áreas mais afetadas, com prejuízos expressivos nos campos, sistemas de rega, infraestruturas de apoio e sementeiras, cujos efeitos se prolongarão nos próximos meses.
“O Vale do Mondego vive da sua terra. Para muitas famílias, esta não é apenas uma perda pontual, é a perda de meses de trabalho”, afirmou José Veríssimo, garantindo que o Município continuará a acompanhar o setor na articulação com as entidades competentes para assegurar que os apoios necessários cheguem com rapidez e justiça.
O Centro Náutico de Montemor-o-Velho registou danos estruturais relevantes, estimando-se prejuízos na ordem dos 2,3 milhões de euros, situação que poderá comprometer a realização do Campeonato da Europa de Canoagem, agendado para junho. Estão em curso contactos institucionais com o Governo para avaliação e resposta à situação.
As estradas municipais e os caminhos agrícolas apresentam igualmente níveis significativos de degradação, encontrando-se já em curso intervenções prioritárias, sendo reconhecida a necessidade de financiamento extraordinário urgente para assegurar a recuperação integral do território.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara defendeu ainda a necessidade de manutenção regular, avaliação técnica aprofundada e concretização de investimentos estruturais na Obra de Aproveitamento Hidráulico do Mondego, sublinhando a importância de soluções duradouras que reforcem a resiliência do Baixo Mondego.
A conferência terminou com um agradecimento público às forças de proteção civil, bombeiros, forças de segurança, forças armadas, autoridades de saúde, entidades governamentais, autarcas, trabalhadores municipais, associações, voluntários e à população, destacando a união institucional, a solidariedade e a capacidade de resposta coletiva demonstradas ao longo das últimas semanas.
“A força da nossa comunidade foi verdadeiramente extraordinária. Não há palavras suficientes para agradecer a todos os que estiveram no terreno, que ajudaram, que apoiaram e que nunca deixaram ninguém sozinho”, concluiu José Veríssimo.